domingo, 11 de janeiro de 2015

Espero não ser inconveniente, mas preciso falar da depressão...
A depressão não podemos tratá-la com pouco caso, mas me refiro aquelas pessoas que não conseguem vivenciar cinco minutos de tristeza, e que já denominam depressivas, e se alienam num medicamento qualquer, aquelas que não querem enxergar que a vida é dura, e que é preciso lutar todos os dias e que querem a facilidade de seu caminho, mas mesmo assim não sei porque em alguns momentos, algumas pessoas me incomodam sobre isso.
Queria poder dizer as pessoas que realmente sofrem da depressão, aos familiares e até amigos, porque é triste ver pessoas que sofrem da depressão e sei bem disso, que as julgam, e que as vezes não podem fazer nada, e por mais que somos solidários, não é possível arrancar a dor que está dentro de nós, ou até mesmo de quem amamos.
Me lembro de uma amiga, que comentou comigo alguns anos atrás sobre um padre que foi encontrado morto, ele sofria de depressão, ele teve que ser afastado da sua paróquia, foi para outra paróquia, mas não foi possível salvá-lo, ela dizia que era um padre respeitoso, era reitor do seminário, inúmeras habilidades, e muitos gostavam dele, mas infelizmente ninguém estava perto o suficiente para perceber a depressão, e até mesmo para ajudá-lo, quando ele morreu muitos amigos que estavam afastados, não se conformaram como uma pessoa que em muitas horas se encontrava tão alegre estivesse com depressão, então as vezes penso... porque as pessoas se distanciam de nós que sofremos dessa doença, ou as pessoas que sofrem e que amamos, porque não reservam e reservamos um tempo para realmente olharmos devagar pra conseguirmos perceber que algo está errado, antes que seja tarde demais, e por outro lado porque tantas vezes nos fechamos em nossos problemas, em vez de partilharmos com nossos amigos, pelo medo da incompreensão, porque não reconhecemos que precisamos de ajuda, será que é orgulho?
Escrevo tudo isso... quando percebemos que não conseguimos prosseguir sozinhos, devemos sim procurar ajuda, e que não é vergonhoso assumir que temos depressão, é muito triste ver pessoas qualificadas, capacitadas, que perecem se manter fechadas em suas conchas sem socorrer em qualquer tipo de ajuda, a depressão é um momento delicado, de vazio e de desesperança, é triste ver alguém tolhido com depressão.
Não podemos tratar todas as tristezas em depressão, porque a tristeza é um fato normativo, nós nos entristecemos porque temos motivos para isso, ou até arrumamos motivos, mesmo um motivo pequeno, nós o estendemos e vamos alimentando, a tristeza faz parte, nos decepcionamos, é natural que isso aconteça porque somos humanos e não máquinas, e a depressão é uma tristeza que não passa, por mais que tentamos escondê-la, tristezas sem motivos em algumas vezes, quando nos identificamos que estamos estendendo demais o sofrimento, é um sinal de alerta, então você percebe que tem alguém agindo assim, perda de um familiar, perda de um emprego, um stress enorme e que te consome, de uma traição, posso dizer que são situações até graves, que acontecem e que retiram nosso chão. As vezes a perda de um namorado, ou até uma situação pior e pensarmos vamos morrer,  ficarmos desolados, as vezes não conseguimos sair e nem abrir a janela do quarto, apenas chorando, mas se isso acontecer entre um mês a dois e sentirmos que não há nenhuma reação aí sim temos que procurar um profissional, porque na hora do choro devemos procurar os amigos, nós que somos amigos temos que chegar perto, tentar quebrar aquela barreira, pedir o direito de conversar com ela nem que sejam cinco minutos, pra podermos acompanhar aquele sofrimento, se virmos e o nosso contexto de amizade já é o suficiente para fazer responder a vida, superando aquele momento difícil.
Eu fico pensando muito nisso, amigo tem que ter o melhor lugar, e eu não tenho dúvidas disso, como é importante na vida, muitos conhecidos em redes sociais que colocam acesso rápido as pessoas, você fala, outros escrevem e-mail, alguns te respondem imediatamente, mas precisamos saber diferenciar, o amigo que me refiro, é aquele que você divide a sua intimidade, frequenta a sua casa, que conhece seus outros amigos, porque o conhecido conhece uma fachada e é essa a sua visão e nem sempre é a verdade, o conhecido não tem acesso a sua verdade pessoal, por mais que as vezes queremos mostrar a ele, eu acredito que devemos procurar os verdadeiros amigos quando temos uma dor, momentos das nossas dificuldades, o verdadeiro amigo é aquele que vem quebrar aquele casulo, as vezes de uma dor temporária, mas esse mesmo amigo é aquele que irá nos ajudar a entender a hora de procurarmos uma ajuda terapêutica, a tristeza modifica nossos comportamentos, uma pessoa triste passa a comer menos ou até mais, porque essa reação é tipico para quem está desequilibrado, porque o organismo não é tão bobo assim.
É natural que um período de tristeza, perdemos o ritmo de nossas vidas, ficamos trancados no quarto, a nossa tacha de alegria são hormônios, o organismo humano funciona dessa forma. O que você faz no corpo repercute no espírito.
Quando uma pessoa mergulha num estado de tristeza, ela parou de comer direito, ela para de se exercitar, fica só deitada na cama, e é natural que algo exista uma desordem interna, que com o tempo possa se agravar, e pode evoluir com um estado patológico que precise de medicamento para reequilibrar até quem sabe a pessoa possa reagir sem medicamentos, mas tudo tem que ser acompanhado.
Precisamos procurar um bom profissional, que nos avalie, que irá fazer exames, que vai nos pedir uma avaliação mais minuciosa dessa tristeza, se ela é química ou se ela é motivacional, porque se for química precisamos de medicamentos, se for motivacional precisamos mudar a estrutura da nossa vida... a depressão é uma doença muito triste, precisamos ficar atentos quando isso acontece conosco e não se agrave.
Muitos suicídios acontecem quando a pessoa está zerada de endorfina, isto é, ela está quimicamente impossibilitada de ter bem estar, o suicídio é uma dificuldade de enfrentar as dificuldades da vida.
Mas volto no mesmo ponto, não temos como evitar as tristezas, mas precisamos aprender a lidar com elas, todos temos motivos para nos entristecer, se aborrecer. Não podemos impedir as tristezas, as dificuldades da vida nos atinjam, mas o tempo que os efeitos disso vai durar dentro de nós, teremos que saber administrar, e ter a clareza que se não assumirmos atitudes desse sofrimento ele vai nos sufocar. Tenho que viver de uma maneira que seja favorável a minha resiliência, eu tenho que fortalecer com nosso estilo de vida, primeiro como pensamos e consequentemente o jeito como vivemos, nosso processo religioso, a nossa experiência, nosso jeito de orarmos, mas tudo isso precisa mexer com nosso jeito de ser, porque isso que nos fortalece, não tem nenhuma passagem do evangelho que seja desfavorável ao ser humano, as propostas de Jesus são sempre favoráveis, que Ele vai nos propor a verdade, a bondade e a beleza, vai sempre nos propor virtudes que nos ajudam a viver, o evangelho não é um peso, ao contrário, ele alivia os pesos, é um pensamento que quando nós somos capazes de absorver, internalizar, faz parte do nosso caráter, eu escuto a pregação, eu escuto o evangelho, eu oro sobre tudo isso, e essa realidade que me faz estar em movimento, estou permitindo o movimento redentor de Deus na minha vida, é isso que precisamos fazer todos os dias em nossas vidas, ninguém está pronto, eu preciso e muitos precisam, todos os dias nós temos a obrigação de colocar sobre a mesa a vida da qual estamos vivendo, o que estamos fazendo com as pedras que a vida nos joga, se estamos transformando isso em algo positivo, ou se estamos permitindo se essas pedras nos derrubem, ou nos machuquem excessivamente, se essas pedras estão nos entristecendo, para que tenhamos condições de ir adiante ou se essas pedras estão nos provocando aquela tristeza que nos deprime. Hoje decidi viver e não apenas existir, porque tudo depende disso, da nossa decisão, se queremos viver ou se queremos morrer, a palavra nos diz: "Vê que proponho, hoje, a vida, e o bem, a morte e o mal" (Dt 30-15). Eu escolho a vida, porque é muito mais interessante, quero limpar meu coração de todos os excessos, escolho recolher as pedras que a vida me atirou, e utilizarei todas essas pedras na construção dos meus degraus que possam me ajudar a ir além.

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